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A arte das placas de madeira nos comércios de Paranapiacaba

Fabio Picarelli - www.fabiopicarelli.com.br

Quem passa pelas ruas de Paranapiacaba já deve ter percebido algumas placas de madeira nas fachadas do comércio local. Por trás desse trabalho artesanal há um artista dedicado e apreciador da arte: José Felix dos Santos Filho, de 74 anos.

Popularmente conhecido como Felix dos Santos, ele é morador da Vila desde a década de 1970.

Ex-ferroviário, trabalhou como segurança e na bilheteria da famosa estação ferroviária de Paranapiacaba, que guarda na memória tantas histórias e destinos, incluindo os antepassados dele.

Como artista plástico e artesão de madeira, está na ativa há mais de 35 anos. O começo de tudo tem como base a família. Alguns membros já mexiam com barro, madeira e pedra. A partir daí, o amor pela arte só cresceu dentro de si.

Hoje, aposentado e autodidata, como se autodefine, atende a pedidos de várias localidades. Na vila ferroviária, as placas estão instaladas no Bar da Zilda, Pousada Shamballa, Avalon, Cachaça do Moretti, Bar do Ferreira, Beco do Rock, Ice Crea Rolls, entre outros estabelecimentos.

Além de Paranapiacaba, seus trabalhos podem ser encontrados em São Paulo e no centro de Santo André. No passado, vendia as obras produzidas na Feira de Artesanato do Ipiranguinha.

José Felix conta que basta entregar um cartão de visitas com o logotipo da marca para que a criação surja naturalmente. Ele confessa que, muitas vezes, a arte é um complemento de renda e ajuda nas despesas familiares.

Na época da pandemia, o Bar Casa do Norte Mandacaru, instalado em Mauá, fechou as portas. O empreendimento era gerenciado junto da esposa, Vitória Henrique Souza Santos, com quem é casado há 51 anos. Mas, graças à Lei Aldir Blanc, conseguiu sobreviver com a produção das placas artesanais, feitas em sua própria residência, na Vila de Paranapiacaba.

A Lei Aldir Blanc (Lei nº 14.017/2020) foi criada emergencialmente pelo Governo Federal durante a pandemia da Covid-19 para socorrer a cultura no Brasil, quando as portas se fecharam para conter a propagação do coronavírus. Como o setor interage diretamente com o público, as medidas restritivas de isolamento provocaram impacto direto na cadeia produtiva cultural. Foram destinados R$ 3 bilhões em recursos para estados e municípios que apoiaram artistas, produtores e espaços voltados à cultura.

Hoje, ele tem a Casa Portal das Artes, na parte baixa da Vila, onde mora e produz as peças inspiradas na natureza.

Em dezembro, o artista participou da exposição Arte no Museu, que aconteceu na Casa Fox. O projeto da artista e escritora Brida Cezar vai até abril de 2027, com mostras de 18 artistas que possuem vínculo direto ou indireto com a Vila, em parceria com a Subprefeitura de Paranapiacaba e Parque Andreense e o governo Gilvan Ferreira. A estreia foi com Tony Gonzagto, e o trabalho de Felix dos Santos foi o segundo da série a se apresentar. Em janeiro de 2026, o contemplado é Zé Mário Francisco.

A arte rústica representa bem o estilo dos patrimônios da Vila, fundada pelos ferroviários ingleses a partir de 1860. Uma simplicidade que contrasta com o urbano e se conecta com a natureza do bioma da Mata Atlântica.

Por isso, ao visitar a Vila, repare que o pioneirismo local não se limita à História da Ferrovia do Brasil. Paralelamente à construção, surgiram novas necessidades, e a comunidade passou a se reinventar para melhorar a qualidade de vida.

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