
A terça-feira foi marcada por chuva durante a manhã em todo o ABC e, ainda assim, a previsão indica novas precipitações a qualquer momento nesta quarta-feira, o que poderia sugerir um cenário mais confortável para o abastecimento. Contudo, os dados mais recentes do Sistema Integrado Metropolitano, monitorado pela Sabesp, apontam para uma realidade preocupante, com queda generalizada nos níveis de água armazenada.
No Sistema Integrado Metropolitano como um todo, o volume útil está em 27,2%, registrando recuo de 0,1% em comparação com a segunda-feira (12), ou seja, mesmo com chuva, a recuperação não ocorreu. Além disso, a tendência de baixa reforça o alerta para a necessidade de atenção ao consumo, especialmente em um contexto de instabilidade climática.
Sistemas
O Sistema Alto Tietê, que abastece cerca de 4 milhões de pessoas na zona leste de São Paulo e nos municípios da Região Metropolitana, opera com 21,3% de sua capacidade, também com queda de 0,1%, armazenando 119,41 hm³, bem como apresentou apenas 2,1 mm de chuva no dia. Nesse sentido, o acumulado mensal chega a 68,9 mm, abaixo da média histórica de 232,1 mm, o que ajuda a explicar a dificuldade de recomposição do reservatório.
Já o Sistema Cantareira, um dos mais estratégicos para o abastecimento da região metropolitana, com capacidade para atender cerca de 9 milhões de pessoas, está com 19,3% do volume útil, igualmente em queda de 0,1%. Ainda mais, apesar de contabilizar 4,8 mm de chuva no dia, o acumulado mensal de 34,5 mm permanece distante da média histórica de 262 mm, mantendo o sistema em patamar crítico.
O Sistema Guarapiranga, responsável pelo abastecimento de grande parte das zonas sul e sudoeste da Grande São Paulo, apresenta 49,6% de volume útil, com queda de 0,3%. Além disso, registrou apenas 1,8 mm de chuva no dia. Em outras palavras, o acumulado mensal de 36,4 mm ainda está distante da média histórica de 229 mm, o que limita a recuperação do reservatório.
No caso do Sistema Rio Claro, responsável por parte da zona leste de São Paulo e de Santo André, o volume é de 42,2%, com recuo de 0,2%, por exemplo, mesmo após registrar 8,2 mm de chuva diária. Apesar disso, o acumulado mensal de 26,6 mm segue muito abaixo da média histórica de 295,5 mm, reforçando o desequilíbrio entre entrada e saída de água.
O Sistema Rio Grande, que abastece São Bernardo, Santo André e Diadema, por sua vez, opera com 61,2% de sua capacidade, após queda de 0,3%. Contudo, não houve registro de chuva no dia. Juntamente com isso, o acumulado mensal de 56,4 mm ainda não se aproxima da média histórica de 243,4 mm, mantendo o sinal de alerta.
Captação
Diante desse cenário, todos os reservatórios apresentam queda, ou seja, a chuva registrada não tem sido suficiente para compensar a elevada retirada de água. Nesse sentido, o problema é agravado pela combinação de precipitações abaixo da média e aumento expressivo da captação.
Recorde
Aliada às chuvas insuficientes, a alta no consumo contribuiu para deixar os níveis dos mananciais no pior patamar desde a crise hídrica de 2014 e 2015. Além disso, a Sabesp registrou em 2025 uma captação média de 71 mil litros de água por segundo. Em outras palavras, trata-se de um recorde histórico, cerca de 10% acima da média registrada ao longo deste século.
Esse volume captado é 3% superior ao de 2024 e quase 8% maior que o de 2023. Porém, o impacto direto foi o fechamento do ano com as represas da Grande São Paulo operando com apenas 26,2% da capacidade. Todavia, o dado mais emblemático ocorreu em 23 de agosto, quando, durante uma onda de calor e tempo seco fora de época, a captação atingiu 76 mil litros por segundo.
Ao longo de 2025, durante 252 dias, a captação superou os 70 mil litros por segundo, além disso um contraste significativo com o período entre 2015 e 2022, quando essa marca não foi atingida em nenhum dia. Por exemplo, em 2024 o patamar foi alcançado 95 vezes e, em 2023, apenas 20 vezes, reforçando que o atual cenário exige atenção redobrada e políticas eficazes de uso consciente da água.
MARCOS FIDELIS

