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Pesquisa do sanitarista e dirigente da Fundação do ABC, Dr. Victor Oliveira Chiavegato, analisou como a regulação e inovações no cuidado reorganizaram a rede de saúde regional durante a pandemia e reforça o papel da regionalização da Saúde

Pesquisa do sanitarista e dirigente da Fundação do ABC, Dr. Victor Oliveira Chiavegato, analisou como a regulação e inovações no cuidado reorganizaram a rede de saúde regional durante a pandemia

 Sanitarista e dirigente da Fundação do ABC, Dr. Victor Oliveira Chiavegato acaba de defender sua tese de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). O trabalho, intitulado “Arranjos tecnológicos de cuidado na rede de Atenção Hospitalar e de Urgência e Emergência para o enfrentamento da Covid-19 no ABC Paulista”, foi orientado pela Profa. Dra. Marilia Cristina Prado Louvison.

A pesquisa parte da experiência de quem vivenciou a pandemia por dentro da gestão pública entre 2020 e 2022, período em que o agora Dr. Chiavegato atuava na Prefeitura de Santo André. O estudo analisa como a regulação do acesso e os novos arranjos tecnológicos de cuidado reorganizaram fluxos, decisões e respostas da rede de saúde em um cenário de altíssima demanda e colapso assistencial em 2021. A questão central da tese busca responder como garantir acesso ao cuidado quando a rede está no limite de sua capacidade.

Dr. Victor Oliveira Chiavegato

O recorte territorial escolhido foi o Grande ABC, região composta por sete municípios interdependentes: Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. O trabalho descreve as respostas regulatórias e organizacionais implementadas na atenção hospitalar e na urgência e emergência, além de incorporar narrativas de cuidado de pacientes atendidos durante a crise sanitária.

RELEVÂNCIA

Segundo Dr. Chiavegato, que está à frente do Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de Santo André desde maio de 2024, a pesquisa revela achados importantes para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde. “A regulação foi o dispositivo estratégico central na pandemia, viabilizando coordenação do cuidado, integração regional e respostas rápidas. Inovações criadas no calor da crise, como estratégias de humanização com teleatendimentos e videochamadas, precisam ser preservadas como legado para políticas estruturantes e preparação para futuras emergências”, afirma o pesquisador.

A tese também evidencia que a pandemia não atingiu todos da mesma forma. Desigualdades sociais e vulnerabilidades do território atravessaram o cuidado, e as populações mais pobres sofreram muito mais, seja pelo maior risco de exposição e condições de vida e trabalho mais precárias, seja pelas barreiras adicionais para acessar o cuidado oportuno em uma rede tensionada e marcada por escassez.

Com base nos dados de internação do Ministério da Saúde, a pesquisa apresenta que os hospitais que mais internaram pacientes na região durante a pandemia foram aqueles geridos pela Fundação do ABC, segundo destaca o próprio pesquisador. Esse dado reforça o papel central da instituição na resposta regional à emergência sanitária.

Para além do registro acadêmico, a defesa reforça um ponto prático e estratégico para o território: ela dialoga diretamente com a capacidade de articular a rede de atenção do Grande ABC na perspectiva da regionalização, conectando regulação, planejamento e oferta assistencial. Nesse contexto, serviços estaduais e outros equipamentos atuam como atores ativos na produção do cuidado, operando e sustentando, no cotidiano, as lógicas de organização do acesso e de resposta regional.

A tese de doutorado foi apresentada em 28 de janeiro, na Sala Virginia Leone Bicudo, no prédio da biblioteca Faculdade de Saúde Pública da USP. A comissão julgadora foi composta pelos professores doutores Luis Fernando Nogueira Tofani, da Faculdade de Medicina de Jundiaí, Luciane Miranda Guerra, da Universidade Estadual de Campinas, Marco Akerman, da Faculdade de Saúde Pública da USP, e pela orientadora Marilia Cristina Prado Louvison, também da FSP/USP.

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