Um dos símbolos mais marcantes de Paranapiacaba é, sem dúvida, o Relógio da Estação. Basta olhar a imagem para remeter à histórica vila inglesa formada a partir da construção da linha férrea pela companhia São Paulo Railway, na década de 1860. A primeira estação foi denominada Alto da Serra, inaugurada oficialmente em 1867.
O relógio foi erguido em meados de 1898 e tinha uma torre bem mais baixa. Somente em 1977, após a desativação da estação de madeira, a torre foi reconstruída em novo local, em uma altura bem superior para melhorar a visão de todos.
O relógio, fabricado pela empresa Johnny Walker Benson, original de 1901, de Londres, Inglaterra, era o destaque. As badaladas regulavam os horários dos trens e serviam para alertar a entrada e saída dos funcionários da ferrovia.
A arquitetura é semelhante ao famoso Big Ben, de Londres. O modelo imponente é uma marca tradicional dos ingleses, que têm uma forte relação com relógios e são conhecidos como os mais pontuais do mundo. O relógio de Paranapiacaba segue essa tradição.
O que não falta são histórias e lendas. Um diferencial está nos números em romano, especificamente na hora quatro, que, ao invés de IV, está IIII. Segundo a lenda, um choque entre dois trens foi o responsável pela mudança. O maquinista, ao olhar o horário pelo retrovisor, confundiu os números e partiu antes do programado. Isso causou um acidente grave com outro trem que vinha na mesma linha férrea.
O monumento é tão famoso que miniaturas são confeccionadas em larga escala pelos artesãos, uma lembrança que não pode faltar para os turistas que visitam a Vila. Integrantes do Férreo Clube do ABC e da Memória Ferroviária, que mantêm uma maquete de Paranapiacaba e da Baixada Santista, pesquisaram e documentaram a quantidade de tijolos utilizados para formar a base da torre. O mais curioso é que a torre em miniatura instalada na maquete tem a mesma quantidade de tijolos que a original.
Ao todo, são 6.731 tijolos, contados a partir de quatro faces. A primeira face, da porta de entrada da torre e da placa do primeiro restauro, foi contabilizada com 1.579,5 blocos maciços.
A segunda face possui quatro janelas verticais, que consumiram 1.661,5 tijolos. Já a terceira face é inteiramente tijolada, totalizando 1.776,5 tijolos.
A quarta e última face contém três janelas e a placa de inauguração. Foram utilizados 1.713,5 tijolos na obra.
Os tijolos são feitos de argila amassada, moldados mecanicamente em forma retangular, cozidos em forno e usados na construção de paredes e muros. As obras mais antigas utilizavam esse tipo de material. Atualmente, as construções são à base de blocos vazados e de tijolo ecológico, produzido a partir de uma mistura de terra, cimento e água, sendo mais sustentável e com menor impacto na natureza.
Em 2019, o símbolo histórico e cartão-postal de Santo André passou por uma restauração completa e ainda ganhou uma iluminação especial. O investimento da MRS foi de mais de um milhão de reais.
A entrega da reforma ocorreu durante a realização do 19º Festival de Inverno de Paranapiacaba, no mês de julho, após dez anos sem funcionamento. Antes disso, a última intervenção para a conservação da torre datava de 2003.
Venha conhecer o Relógio da Estação e outros equipamentos da Vila. A Subprefeitura de Paranapiacaba e Parque Andreense, do governo Gilvan Junior, faz questão de manter todo o patrimônio histórico em ordem para tornar o local cada vez mais aconchegante e atrativo para os turistas.

