Crueldade não surge do vazio. Ela é construída, ou melhor, permitida ao longo do tempo. Cada gesto de violência extrema carrega uma história de negligências acumuladas: afetivas, educativas, sociais e institucionais.
Ninguém acorda cruel por acaso. A crueldade se forma quando limites não são ensinados, quando a empatia não é estimulada, quando a dor do outro é normalizada. Ela cresce em ambientes onde o erro não é corrigido, onde a agressividade é relativizada e onde o silêncio dos adultos se torna conivência.
Casos de maus-tratos, assassinatos brutais e violência contra os mais vulneráveis não são “desvios individuais”. São sintomas de uma sociedade que falhou na formação emocional, no cuidado coletivo e na responsabilização.
Sigmund Freud já apontava que o ser humano não nasce pronto para viver em sociedade. É o processo de educação, cuidado e limites que constrói o superego, a instância psíquica responsável pela noção de certo e errado, pela empatia e pela contenção dos impulsos destrutivos.
Quando essa construção falha, o impulso prevalece sobre a consciência.
Para a psicanálise, combater os maus-tratos exige mais do que punição: exige prevenção emocional, educação afetiva, presença adulta responsável e uma sociedade que não normalize a brutalidade. Onde não há palavra, limite e cuidado, a violência encontra espaço para crescer.
Enfrentar a crueldade exige mais do que indignação momentânea. Exige educação emocional, leis que sejam cumpridas, punições efetivas e, sobretudo, a recusa em tratar a barbárie como normal. Porque toda crueldade ignorada hoje é uma violência anunciada amanhã.
Disque Denúncia – 181 (anônimo, disponível em muitos estados)

