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O caos sentimental do ‘’tô bem’’

Enrico Pierro - @enricopierroofc (Instagram, TikTok, X e Threads) e www.enricopierro.com.br

O problema do “tô bem” é que ele virou meu uniforme emocional. Eu uso para tudo: para quando estou realmente bem, para quando estou péssimo, para quando acordei sem saber que dia é hoje e até para quando estou apenas existindo igual software travando. “Tô bem” virou meu ctrl+c ctrl+v social. Porque explicar o que eu estou sentindo dá muito trabalho e, sinceramente, às vezes nem eu sei.

Quando alguém me pergunta “como você tá?”, meu cérebro abre umas 42 pastas de problemas ao mesmo tempo. Tem pasta chamada “não era para eu estar vivendo isso”, outra “como resolvo isso sem surtar”, outra “não quero falar sobre isso porque posso chorar ou posso bater em alguém, depende do humor”. Mas o que eu digo? “Tô bem”. Curto. Eficiente. Compatível com a bateria emocional em 3%.

E a verdade é que ninguém quer realmente ouvir o verdadeiro “como eu tô”. Se eu respondo honestamente, o ambiente fica pesado. O ar muda. A pessoa pisca três vezes tentando achar uma frase motivacional no Google mental dela. Eu poupo todo mundo — inclusive eu. Então “tô bem” funciona como aquele filtro de Instagram: não resolve nada, mas deixa apresentável.

O mais curioso é que, quando eu falo “tô bem”, sempre tem um microsegundo em que eu penso: “será que um dia eu vou estar mesmo?”. Não no sentido dramático, mas naquele jeito adulto de quem já entendeu que estar bem é tipo internet de hotel: existe, mas não funciona direito.

E aí eu sigo. Com meu caos organizado, meu emocional cheio de abas abertas, minha fé tentando equilibrar a vida e meu humor servindo de colete à prova de frustração.

No fim, “tô bem” é só meu jeito de dizer: tô aqui, tá? Sobrevivendo. E isso já é quase uma vitória olímpica.

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