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Volume útil dos reservatórios de SP chega a 33,3%, mas cenário segue entre os piores em duas décadas

Apesar da leve recuperação após chuvas recentes, nível dos mananciais permanece crítico e reflete efeitos prolongados da estiagem e do La Niña

O volume útil dos reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo alcançou 33,3% nesta segunda-feira (26), após uma semana de chuvas, segundo dados do SIM – Sistema Integrado Metropolitano. Ainda assim, embora o índice seja melhor do que o registrado durante a crise hídrica de 2015, o cenário atual representa o segundo pior dos últimos 20 anos em termos de volume armazenado.

Contudo, o sistema havia ultrapassado a marca de 30% apenas em 20 de janeiro de 2026, pela primeira vez desde 6 de outubro de 2025, evidenciando a lenta recuperação dos mananciais.

Nesse sentido, em 24 de outubro, quando a Arsesp – Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo anunciou um plano de contingência para redução do consumo, o volume útil estava em 28,7%.

RECUPERAÇÃO

Do mesmo modo, nesta segunda-feira, o SIM apresentou aumento de apenas 0,3% em relação ao dia anterior, reforçando que, apesar disso, a recuperação ocorre de forma gradual e ainda insuficiente para afastar o risco de escassez. Ou seja, o avanço pontual não altera o quadro estrutural de fragilidade do sistema de abastecimento.

Além disso, a situação é agravada pelo comportamento das chuvas, que permanecem abaixo da média histórica em praticamente todas as estações de medição da região metropolitana. Ainda mais preocupante, a tendência é que esse padrão se mantenha durante todo o primeiro trimestre do ano, com exceção do posto do Mirante de Santana, na zona norte da capital, que já superou a média de janeiro.

Nesse sentido, a influência do fenômeno La Niña, confirmada pelo Inmet – Instituto Nacional de Meteorologia, contribui para o agravamento da seca em todo o estado de São Paulo. Todavia, desde janeiro de 2024, o território paulista enfrenta condições de seca severa ou extrema, com exceção do norte do estado, que ainda assim registra seca severa nos últimos 12 meses.

SECA

Porém, segundo o Inmet, as demais regiões são classificadas como em seca extrema no mesmo período, reflexo direto da insuficiência das chuvas de verão de 2024-2025. Em outras palavras, o ano de 2025 já foi considerado seco pelo órgão, uma vez que as precipitações não foram suficientes para recompor a umidade do solo e os estoques de água.

Juntamente com esse cenário, o Inmet alerta que o primeiro trimestre terá chuvas abaixo da média em áreas que incluem o sul da mesorregião de Bauru, a região de Itapetininga e a Grande São Paulo. Ainda assim, ele aponta a possibilidade de melhora a partir do segundo semestre, com o enfraquecimento do La Niña, condição considerada 75% provável pela NOAA – National Oceanic and Atmospheric Administration, dos Estados Unidos.

IMPACTOS

Além disso, a ANA – Agência Nacional de Águas avalia que a escassez hídrica já provoca impactos de curto prazo em todo o estado e efeitos de longo prazo, especialmente nas regiões noroeste e leste. Contudo, os reservatórios que abastecem a capital e os demais municípios da região metropolitana seguem em níveis críticos.

Por exemplo, na medição do dia 16 de janeiro, o Sistema Integrado Metropolitano registrava 27,7% de sua capacidade, índice semelhante ao observado em 16 de janeiro de 2016, período de recuperação após a seca histórica de 2015, e superior ao volume registrado em janeiro de 2014.

INTEGRAÇÃO

Todavia, o monitoramento da ANA no Sistema Cantareira, principal manancial da região e responsável por mais de 40% do abastecimento total, aponta apenas 19,39% do volume armazenado. Ainda mais alarmante, o reservatório de Jaguari-Jacareí, que concentra cerca de 85% da capacidade do Cantareira, opera com apenas 16,89%.

Apesar disso, diante de uma das piores estiagens dos últimos dez anos, o estado de São Paulo adotou um modelo de gestão integrada para reduzir a dependência de um único manancial. Nesse sentido, atualmente o sistema conta com sete produtores de água, entre eles o Cantareira e o Alto Tietê, que operam de forma interligada.

MARCOS FIDELIS

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