O dia 21 de janeiro não é apenas uma data simbólica no calendário brasileiro. É um marco de memória, resistência e alerta permanente. Instituído como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, ele recorda que a liberdade de crença, garantida em lei, ainda enfrenta desafios concretos no cotidiano de milhares de brasileiros.
Mais do que lembrar o passado, a data convida à reflexão sobre o presente e à responsabilidade coletiva de construir um futuro onde a fé de cada cidadão seja respeitada.
O Brasil é reconhecido internacionalmente por sua diversidade cultural e religiosa. Católicos, evangélicos, espíritas, judeus, muçulmanos, religiões de matriz africana, povos indígenas e tantas outras expressões de espiritualidade convivem em um mesmo território. Essa pluralidade, no entanto, não tem sido sinônimo de harmonia. Casos de intolerância religiosa são registrados com frequência em todas as regiões do país, revelando que o preconceito ainda se manifesta de forma cotidiana, seja por meio de agressões verbais, ataques a templos, discriminação no trabalho ou violência simbólica e física.
Os números oficiais mostram que denúncias de intolerância religiosa ocorrem praticamente todos os dias no Brasil. A maioria dos registros envolve seguidores de religiões de matriz africana, historicamente alvo de estigmatização e perseguição. Esses dados não representam apenas estatísticas frias, mas histórias reais de dor, exclusão e violação de direitos fundamentais. Cada ocorrência evidencia que a intolerância religiosa não é um problema isolado, mas um fenômeno estrutural que exige atenção constante do poder público e da sociedade.
Combater a intolerância religiosa vai além de ações pontuais ou campanhas em datas específicas. Trata-se de promover uma mudança cultural profunda, baseada no respeito, na educação e no diálogo. É nas escolas, nos lares, nas igrejas, nos terreiros, nas redes sociais e nos espaços públicos que essa transformação precisa acontecer. Respeitar a fé do outro, ou a ausência dela, é reconhecer a dignidade humana como valor inegociável.
Que o 21 de janeiro não seja apenas lembrado, mas internalizado. A luta contra a intolerância religiosa deve estar na consciência de todos, todos os dias. Somente assim será possível construir uma sociedade verdadeiramente democrática, plural e justa, onde a diversidade não seja motivo de ódio, mas de convivência e aprendizado coletivo.

