Há cinco anos, o Brasil iniciou uma das mais importantes travessias de sua história recente. Em janeiro de 2021, a aplicação da primeira vacina contra a covid-19 simbolizou o começo do fim de um período marcado pelo medo, pela dor e por perdas irreparáveis.
Depois de quase um ano convivendo com hospitais lotados, despedidas interrompidas e uma sensação coletiva de impotência, a vacinação trouxe algo que parecia distante: perspectiva de futuro.
Aquele momento não representou apenas um avanço médico, mas uma virada civilizatória. A pandemia havia exposto fragilidades profundas, testando os limites do sistema de saúde, das instituições públicas e da própria capacidade de convivência social. A vacina surgiu como resposta concreta da ciência a uma crise global, reafirmando que o conhecimento acumulado, quando aliado a políticas públicas, tem poder real de salvar vidas.
Os efeitos da imunização logo se tornaram evidentes. À medida que a campanha avançava, especialmente entre trabalhadores da saúde, idosos, pessoas com deficiência institucionalizadas e populações indígenas, os índices de internações e mortes começaram a cair. Em um cenário dominado por uma variante mais agressiva do vírus, a vacinação foi decisiva para frear a escalada da tragédia.
Cada braço imunizado significou menos um leito ocupado, menos uma família enlutada, menos um profissional de saúde levado ao limite da exaustão.
Também é impossível dissociar esse marco do papel estratégico das instituições científicas e de saúde pública brasileiras. A capacidade de importar, processar, produzir e distribuir milhões de doses em um país de dimensões continentais demonstrou que investir em ciência e tecnologia não é um luxo, mas uma necessidade. O esforço logístico, muitas vezes invisível, foi tão essencial quanto o trabalho realizado nos laboratórios e nas unidades de saúde.
Cinco anos depois, a importância desse episódio ultrapassa o campo da saúde. Ele se tornou um símbolo de resistência coletiva em meio ao caos, de confiança na ciência em tempos de ruído informacional e de valorização do bem comum em uma sociedade profundamente impactada pela desigualdade. A vacinação mostrou que decisões baseadas em evidências podem mudar o curso da história, mesmo quando tomadas em meio à pressão, à incerteza e ao luto.
Relembrar o início da campanha de vacinação contra a covid-19 é, portanto, um exercício de memória e responsabilidade.

