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Expectativa de juros baixos mantém setor imobiliário otimista para 2026

O REPÓRTER ouviu especialistas de quatro grandes construtoras que atuam no ABC e em São Paulo, a Basilar, a Lorenzini, a Patriani e a MBigucci, e os profissionais desenharam um cenário promissor para o setor em 2026

O levantamento mais recente realizado pela FipeZap – principal indicador de preços de imóveis, seja para venda ou aluguel, no Brasil – apontou que, em 2025, a modalidade de imóveis residenciais apresentou alta acima de inflação em 56 cidades que foram realizadas a pesquisa e que, em média, ficaram 6,52% mais caros.

Em São Paulo, porém, a elevação nos preços dos imóveis residenciais foi de 4,56%, portanto, abaixo da média nacional, mas, ainda assim, um pouco acima da prévia da inflação anotada em 2025, analisada até 15 de dezembro passado, quando o IPCA 15 – Índice de Preços ao Consumidor Amplo ficou em 4,41%.

Basilar Construtora

Diante desses números, o REPÓRTER conversou com representantes de quatro grandes construtoras que atuam no ABC e em São Paulo e, a começar pela Basilar Construtora, que tem cinco empreendimentos no ABC, o CEO Evandro Lombardi opinou sobre o cenário atual do setor e o que esperar para 2026.

“A valorização do imóvel ficou mais alta que o CDI nos últimos 10 anos, então, acredito que seja questão de investimento, pois as pessoas enxergam o potencial da rentabilidade do imóvel e, por isso, acho que teve esse aumento”, sugere ele.

Evandro Lombardi, CEO da Basilar Construtora, acredita em uma valorização moderada dos imóveis em 2026 e alta na procura

Já sobre os dois acontecimentos que estão por vir em 2026: as eleições e a Copa do Mundo, Lombardi não vê interferência no setor e já indica que a expectativa é de que os preços imobiliários não reduzam.

“Eu acho que já está meio que desenhada essas eleições, e não acho que vai atrapalhar a parte do investimento imobiliário, por outro lado, tenho certeza que não haverá redução de preço dos imóveis, porém, acredito que não há uma tendência de muito aumento”, comenta o CEO.

Com a experiência que adquiriu ao longo dos anos no setor, Evandro arrisca dizer que 2026 será um ano em que a elevação dos preços ficará estável.

“A tendência é que valorize pouca coisa em 2026, contudo, há uma expectativa da queda dos juros, que a gente tem escutado falar e, por isso, acho que a procura por imóvel vai aumentar”, percebe Lombardi.

Quanto à classe social que mais sente os impactos da elevação de preços, Evandro afirma que este cenário atrapalha os imóveis de média e baixa renda, no entanto, o imóvel de alto padrão não sente o impacto, pelo contrário,  a procura aumenta.

Construtora Lorenzini

Desse mesmo modo, Sebastião Bitencourt, diretor comercial da Construtora Lorenzini, tem a mesma linha de raciocínio que Lombardi, quando o tema é aumento dos preços.

“A tendência do preço imóvel é subir sempre, a gente tenta segurar, adequar ao mercado o valor de venda, mas a tendência é subir, porque na construção, cada vez mais, tudo está subindo, como os materiais, o preço de terreno está caro e, portanto, tudo isso faz com que o preço do imóvel cresça”, explica Bitencourt.

Sebastião Bitencourt, diretor da Construtora Lorenzini, afirma que o imóvel continua sendo um bem que não traz problemas como investimentos em ações e bolsa

Já a percepção sobre investir ou comprar para morar, o diretor da Lorenzini, pondera ao afirmar que depende do tipo de empreendimento que é construído. 

“Depende do tipo de imóvel que você faz, vou lançar em janeiro um apartamento de dois e três dormitórios aqui na rua Alagoas com a Paraíba, no Centro de São Caetano, o Raízes Lorenzini, e já temos 150 pessoas cadastradas com interesse de compra, com o cadastro aprovado, porque a pessoa precisa comprar imóvel”, celebra ele a alta procura pelo Raízes.

No entanto, quando perguntado sobre os dois eventos pontuais de 2026, eleições e Copa do Mundo, Sebastião avalia com cautela, mas sabe que o segmento imobiliário segue adiante, mesmo com as adversidades.

“Creio que vai atrapalhar um pouco, mas o mercado vai seguir, porque teve ano em que a gente lançou depois da eleição e vendemos todas as unidades”, Sebastião faz a comparação.

No entanto, Bitencourt segue a mesma linha de raciocínio que Evandro, ao falar dos juros.

“O imóvel é sólido, e como a tendência dos juros é de queda no final de 2026, ficando em 12 e 12,5%, e aliado a isso nossa carteira sólida e inadimplência mínima, o imóvel continua sendo um bem que não traz problemas como investimentos em ações e bolsa”, propõe ele.

Sebastião falou também sobre o perfil de empreendimentos que devem ser os mais procurados.

“A tendência, eu creio, é a diminuição de empreendimentos com apartamentos do tipo studio, aliás, acho que a tendência são imóveis de dois e três dormitórios, todavia, compacto, e três dormitórios um pouco maior”, entende ele. 

Construtora Patriani

O representante da Construtora Patriani, que conversou com o REPÓRTER, segue a mesma percepção sobre a queda de juros e sobre os eventos de 2026.

“Acho que não é preocupante, até porque a gente vê 2026 com muito bons olhos, principalmente, por conta da possibilidade da queda da Selic, inclusive, com previsão, na primeira reunião do Copom – Comitê de Política Monetária, e que o Boletim Focus aponta que, em dezembro de 2026, deve ficar abaixo dos 15%, ficando em torno de 12%. Além do mais, a gente sabe que, sempre depois de um ano ruim para o mercado imobiliário, onde foi um ano não tão pujante para o mercado imobiliário, que foi 2025, historicamente, sempre vem um ano muito bom, por conta da demanda reprimida do ano anterior. E o tijolo continua sendo uma das moedas mais fortes”, justifica o representante.

Construtora MBigucci

E para fechar este conteúdo no setor imobiliário, o REPÓRTER ouviu também Felipe Bigucci, gerente de vendas da Construtora MBigucci, que atribuiu a elevação de preços à alta procura no ano passado e já traça a tendência para 2026. 

“A valorização se deve principalmente pelo aumento da demanda que tivemos em 2025, contudo, os studios de um dormitório e os imóveis de alto padrão foram os que tiveram maior procura e, consequentemente, maior valorização acima do IPCA. No entanto, é um aumento saudável e natural do mercado e tende a trazer mais lançamentos para 2026, pois já que a demanda subiu, a oferta também precisa aumentar”, sugere ele.

Felipe Bigucci, gerente da Construtora MBigucci, percebe que a compra do imóvel é motivada por uma necessidade e faz parte de uma decisão racional e emocional

Sobre as eleições e a Copa do Mundo, Bigucci não vê como empecilhos ao setor, porém, podem trazer uma certa morosidade na decisão final do cliente, já que mexe com o emocional, mas Felipe garante que a construtora segue com o pé no acelerador.  

“Copa do Mundo e eleições, historicamente, não é algo que altera significativamente o desenvolvimento do mercado imobiliário. No entanto, pode sim representar uma mudança no tempo de compra, na duração da jornada do cliente, que aguarda uma grande celebração como é a Copa do Mundo, ou à espera pela decisão das eleições, mas não é algo que leva a uma piora no desempenho do mercado. Vale lembrar que a compra do imóvel é motivada por uma necessidade e faz parte de uma decisão racional e emocional, inclusive, a MBigucci manterá o ritmo acelerado de lançamentos”, projeta o gerente.

Embora os preços tenham sofrido acréscimo em 2025, Felipe desenha um mapa otimista para 2026 e, portanto, aposta na alta demanda e garante que a Construtora MBigucci continuará no mesmo ritmo, já que o imóvel é um bem que valoriza e traz solidez para quem adquire.

“A expectativa da MBigucci para 2026 é ótima, principalmente por esse aumento de demanda, com isso, a empresa pretende trazer a oferta necessária para suprir procura. E, para isso, estamos planejando grandes lançamentos para este ano no ABC e São Paulo, do popular ao alto padrão, e nos mantemos otimistas, já que a procura por imóveis tem sido cada vez maior nos últimos anos, o que demonstra solidez e valorização dos imóveis”, celebra o gerente.

Em suma, o que todos concordam é que a compra do imóvel é um investimento que garante a moradia para àqueles que precisam de um lar e lucro para quem deseja investir, se tornando um produto com retorno garantido e sem desvalorização.

CELSO M. RODRIGUES

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