Caso Ruy Ferraz: presos por mandar matar ex-delegado já haviam sido capturados por ele no passado
Investigações indicam que integrantes do PCC presos pela execução de Ruy Ferraz Fontes já haviam sido detidos em operações conduzidas pelo próprio ex-delegado ao longo de sua trajetória na Polícia Civil

A Polícia Civil prendeu nesta terça-feira (13) três integrantes do Primeiro Comando da Capital, acusados de envolvimento direto no assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, executado a tiros em setembro do ano passado, na cidade de Praia Grande, no litoral paulista. Nesse sentido, a ação representa um avanço significativo nas investigações de um crime considerado simbólico no enfrentamento ao crime organizado.
Contudo, segundo a corporação, foram expedidos cinco mandados de prisão temporária e 13 mandados de busca e apreensão, cumpridos simultaneamente em Jundiaí, Mongaguá, Praia Grande, Carapicuíba, Barueri, Mairinque e na capital paulista. Ainda assim, até a última atualização da ocorrência, três suspeitos haviam sido capturados durante a operação.
PRESOS
Por exemplo, um dos presos é Marcio Serapião de Oliveira, conhecido como Velhote ou MC, apontado como integrante do PCC e investigado por oferecer apoio estratégico e logístico à ação criminosa. De acordo com a Polícia Civil, há indícios de que ele participou da guarda de veículos utilizados no crime, do uso de imóveis de apoio e da ocultação de provas relacionadas ao homicídio.
Além disso, Marcio foi localizado e preso no bairro Vila Isa, na região de Interlagos, Zona Sul da capital. Porém, durante a abordagem, ele tentou fugir, sendo monitorado por drone no momento da ação policial. Com ele, foram apreendidos documentos e dois aparelhos celulares que agora serão analisados pelos investigadores.
Do mesmo modo, outro preso é Fernando Alberto Teixeira, conhecido como Azul ou Careca, apontado como um dos principais responsáveis por articular o mando do crime. Segundo as investigações, ele participou do planejamento, da coordenação logística e da execução indireta do assassinato, sendo capturado na cidade de Jundiaí, no interior paulista, onde também teve dois celulares apreendidos.
Todavia, a terceira prisão foi de Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, conhecido como Manezinho ou Manoelzinho, investigado como o principal articulador logístico e operacional do grupo criminoso. Nesse sentido, a polícia aponta que ele teria auxiliado na fuga dos envolvidos, fornecido meios materiais e mantido a ligação entre os executores. Ele foi preso em Mongaguá, no litoral, onde os agentes apreenderam uma arma de fogo durante as buscas.
Ou seja, as investigações indicam que os suspeitos agiram de forma organizada, com divisão clara de tarefas e atuação conjunta desde o planejamento até o apoio pós-execução. Juntamente com os depoimentos, a polícia reuniu provas técnicas, como impressões digitais encontradas em veículos utilizados no crime e dados extraídos de celulares e outros dispositivos eletrônicos.
Além disso, os investigadores identificaram movimentações financeiras consideradas suspeitas, vínculos diretos entre os investigados e o uso de imóveis que teriam servido como pontos de apoio para a ação criminosa. Em outras palavras, os endereços ligados aos suspeitos ainda podem ocultar armas, documentos e novos elementos que ajudem a esclarecer totalmente o caso.
Porém, segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público em novembro, a execução de Ruy Ferraz Fontes foi ordenada pelo alto escalão do PCC como forma de vingança. Ainda assim, no total, oito pessoas já foram denunciadas pela participação direta no assassinato, respondendo por crimes como organização criminosa armada, homicídio qualificado consumado e tentado, porte ilegal de arma de uso restrito e favorecimento pessoal.
Nesse sentido, o documento elaborado pelo Gaeco, grupo especializado do Ministério Público no combate ao crime organizado, aponta que a morte do ex-delegado foi determinada pela chamada “sintonia geral” da facção. Apesar disso, uma hipótese inicial que relacionava o crime à atuação de Ruy como secretário municipal em Praia Grande foi descartada pelo MP.
Por exemplo, um relatório policial revelou a apreensão, ainda em 2019, de uma carta manuscrita atribuída à liderança da facção, na qual já se cobrava a morte de agentes públicos, incluindo explicitamente o nome de Ruy Ferraz Fontes. O documento citava a missão e listava responsáveis diretos, evidenciando que a ordem para a execução estava em vigor há pelo menos quatro anos.
Todavia, a trajetória do ex-delegado ajuda a explicar o grau de retaliação. Ruy Ferraz Fontes ingressou na Polícia Civil no início dos anos 1980 e atuou por mais de quatro décadas em unidades estratégicas como Denarc, Dope e Deic. Além disso, no início dos anos 2000, ele passou a divulgar organogramas internos do PCC e liderou, em 2006, o indiciamento da cúpula da facção, incluindo Marcos Camacho, o Marcola, tornando-se um dos principais alvos históricos da organização criminosa.
MARCOS FIDELIS

