O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia tem sido apresentado como um dos mais ambiciosos das últimas décadas, prometendo integrar dois grandes mercados, ampliar o comércio e fortalecer laços políticos. No entanto, ele desperta intensos debates, especialmente na Europa, onde cresce a percepção de que produtos sul-americanos podem representar um risco significativo para setores produtivos locais.
Entre os prós do acordo está a ampliação do acesso a mercados. Países do Mercosul ganhariam maior facilidade para exportar commodities agrícolas, carnes, grãos e produtos agroindustriais, enquanto a União Europeia ampliaria a venda de bens industriais, tecnológicos e serviços. A redução de tarifas poderia estimular investimentos, aumentar a competitividade e gerar crescimento econômico em ambas as regiões. Além disso, o acordo tende a reforçar o multilateralismo em um cenário global marcado por tensões protecionistas.
Por outro lado, os contras são relevantes e explicam a resistência de vários países europeus. O principal ponto de tensão está no setor agrícola. Produtos sul-americanos, especialmente carne bovina, soja, açúcar e etanol, costumam ter custos de produção mais baixos, em parte devido a escalas maiores, mão de obra mais barata e normas ambientais e sanitárias menos rigorosas do que as exigidas aos produtores europeus. Isso alimenta o temor de concorrência desleal, capaz de pressionar preços, reduzir a renda de agricultores europeus e fragilizar economias rurais já vulneráveis.
Há também preocupações ambientais. Críticos argumentam que o aumento das exportações do Mercosul pode incentivar o desmatamento e práticas agrícolas pouco sustentáveis, colocando em risco compromissos climáticos assumidos pela União Europeia. Nesse sentido, o risco não é apenas econômico, mas também reputacional: importar produtos associados à degradação ambiental contraria o discurso europeu de liderança verde.
Do lado sul-americano, o acordo também levanta dúvidas. A abertura aos produtos industriais europeus pode dificultar o desenvolvimento de indústrias locais, reforçando a dependência da exportação de produtos primários. Assim, o acordo carrega o paradoxo de promover crescimento, mas também aprofundar assimetrias.
Em síntese, o acordo Mercosul–União Europeia oferece oportunidades reais, mas seus riscos, especialmente o impacto dos produtos sul-americanos sobre os produtores europeus, não podem ser ignorados. O desafio está em equilibrar comércio, proteção social e sustentabilidade, para que a integração não beneficie apenas alguns, mas produza ganhos compartilhados e duradouros.

