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Mais vozes no Conselho de Segurança da ONU

As discussões sobre mudanças nas regras do Conselho de Segurança da ONU, sobretudo no que se refere ao aumento do número de membros permanentes, revelam uma tensão central da política internacional contemporânea: a necessidade de adaptar instituições do pós-Segunda Guerra Mundial a uma realidade global profundamente transformada. O Conselho, criado em 1945, foi estruturado para refletir o equilíbrio de poder daquele período, concedendo assentos permanentes e poder de veto a cinco países.

Passadas quase oito décadas, esse modelo mostra sinais evidentes de desgaste.

A principal crítica ao atual formato do Conselho está na sua baixa representatividade. Regiões inteiras, como a África e a América Latina, não possuem nenhum membro permanente, apesar de serem diretamente afetadas por muitas das decisões tomadas pelo órgão. Além disso, países que hoje exercem forte influência econômica, política e diplomática continuam excluídos do núcleo decisório, o que compromete a legitimidade das resoluções aprovadas. Nesse sentido, a ampliação do número de membros permanentes surge como uma tentativa de tornar o Conselho mais condizente com a diversidade e a multipolaridade do mundo atual.

Entretanto, essa proposta não está livre de controvérsias. Um dos principais pontos de debate envolve o direito de veto. Se novos membros permanentes forem incluídos mantendo esse privilégio, há o risco de aprofundar a paralisia decisória que já afeta o Conselho em momentos de crise. Conflitos recentes demonstram como o veto é frequentemente utilizado para proteger interesses nacionais, mesmo diante de graves violações do direito internacional. Assim, ampliar o Conselho sem revisar esse mecanismo pode apenas redistribuir o poder, sem torná-lo mais eficaz ou justo.

Ainda assim, resistir a qualquer mudança significa aceitar a perda progressiva de relevância da ONU. Reformar o Conselho de Segurança, inclusive com a ampliação de seus membros permanentes, é um passo necessário para fortalecer o multilateralismo e a cooperação internacional. Um órgão mais representativo tende a gerar maior confiança entre os Estados e a refletir melhor as demandas do século XXI. Embora complexa e politicamente sensível, essa reforma é fundamental para que o Conselho continue sendo um ator central na promoção da paz e da segurança internacionais.

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